Andam todos à procura da
guerra!
Andam todos à procura da
guerra!
Ninguém sabe para quê ou
porquê. Ou talvez alguns saibam e não digam. E os que dizem, quando dizem, dizem
que é para aquilo que não dizem.
Depois de ter andado
perdido por entre casas que vendem livros, depois de ter olhado, espreitado e
folheado interiores de livros expostos, com capas bonitas, sugestivas à
leitura, pretensamente sugestivas à leitura.
Toda a literatura que se
instala nos escaparates, é escrita para os que, sem dizerem nada a ninguém, se
situam nos que foram à guerra e voltaram. Ninguém lerá livro algum imaginando-se
«matado» ou «destroçado», lá na confusão.
Alguns terão passado por
isso, só alguns, os demais, foram sem saberem porquê e para quê.
Ao fim destes tempos todos
já nenhuma guerra tem propriedade sobre nada, nem intelectual nem económica
(aH!, essa não se sabe) …
Talvez ela queira e
esteja a reivindicar os espaços que ela cuidadosamente desfez, para que pudesse
operar melhor, e hoje os herdeiros dos desfeitos e operados tenham tomado conta
deles, dos espaços (leia-se o termo no seu sentido mais amplo)…
Toda ela, a literatura
afim, aborda as manobras militares, mostra os efeitos, as necessidades posteriores…
como se tivéssemos passado por lá incólumes
Ninguém fala, porquê,
quem, para quê ela aconteceu!
Ninguém fala que «os
donos da guerra», nada sofreram com ela, e se sofreram terão sido efeitos colaterais
como se diz hoje, lamentáveis.
Ninguém fala dos, e, de
excedentes, de material bélico a acabar,
dos excedentes de população que tem que acabar, porque só assim haverá mercado
depois …
Ninguém fala das
«raivas» que se constrói face ao «outro», que ninguém diz o que é e porquê, se
é que há ou «outro» ou razão de tal…
Ninguém fala que lá,
junto ao «outro» também dizem a mesma coisa com a mesma intenção…
Quiçá até o mesmo fabricante
de «outros» ou de «razões»…
aH! há livro a mais a
falar de guerra…
só falta a guerra…
Já ando a ficar, já
estou, farto dos flibusteiros que vendem a necessidade da … guerra!
Ponham os vendedores de miragens
na linha da frente… para perceberem que as miragens matam mesmo!
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