Lisboa, (ainda em Portugal)
Hoje o meu amigo Vagabundo veio ter comigo a minha casa (ainda) e logo de entrada impôs-me que eu fosse jantar com ele!
Credo, vociferei eu logo de imediato! Que há, para tamanha urgência!?? Tem que ser agora?
É verdade meu vadio de uma figa!!! Tem que ser já. Eu soube que vais partir e quero estar contigo, porque nunca se sabe se voltas! Aliás eu acho que sou eu que irei ter contigo! Mas afinal nunca me dizes por onde andas, nem o que fazes!!!
Eu, homem habituado às intempéries coloquiais, acabava de ficar sem textos válidos. O meu amigo vagabundo, deixara-me de tal forma, que eu me quedei ali, preso à porta, à soleira de uma porta que não tem nem pedra nem degrau. Fiquei aterrado, como soubera ele que eu havia pensado e até me tinha preparado para partir!?? Para zarpar, mesmo que não fosse à vela! Qualquer coisa não andava certo! Seria que eu andava ressonando pela noite dentro e que as paredes ( a quem a gente não confessa, mas que ouvem) teriam ouvido. Eu que nem tenho nem companhia por perto, nem por longe!
Bem, afinal vamos ou ficamos aqui à espera do nada!?
Claro, claro que vamos! (afinal sempre era melhor dar-lhe alguma novidade, sempre podia tornar-se colaborador da mentira e não falaria)!
Fomos para o lugar de jantar! Aqui? Claro respondeu-me ele! Mas isto é terrível! Repliquei eu desta feita! Porquê?
Não te preocupes, jantar aqui, mesmo que não paguemos no final, não tem importância, perigoso seria se pegássemos 2 pêssegos e fugíssemos! Seriamos presos por furto, aqui será só um equívoco! Um esquecimento!
Mas meu amigo vagabundo, na terra para onde irei, não é assim … quem diz que faz e convence e depois não cumpre tem penas terríveis de sanção! Iludiu as pessoas e lá isso tem sanções pesadas! Lá, eles consideram esse comportamento como roubo, espoliação! Prometer e não fazer ultrapassa qualquer perder! Lá é um lugar certo e seguro! Quem ousa prometer e não cumpre, não regressa do vale! Fica por lá, nunca ninguém soube bem por onde, talvez cumprindo… o que prometeu!
Mas há lá muita gente? Tive que explicar que não, e todos temos mal estar por eles, porque eles sabem que não poderão mais explicar o que aconteceu, não deveria ter acontecido, mas não foram capazes, não foram capazes …
Mas explica-me então como me vieste tu dizer e falar dessa minha viagem!!!
Neste ocasião o meu amigo vagabundo perguntou-me: não vais viajar de novo para o «Paralistão»? Sabes que neste país todo a gente conhece toda a gente, e se não conhece quer fingir que conhece! Só para se ser importante traí-se todo o tipo de verdade! O grave é que agora ou se é assim ou se não é nada!!!
Deve ser assim, deve ser! Retorqui eu alto! Olha aqui meu vagabundo, sabias que os mesmos degraus que levam ao «podium», são os mesmos que levam ao cadafalso!?? Sabias que todos que nunca alvejaram o «podium» nunca caíram nos cadafalsos!
Vou-te dizer. Quando eu chegar perto de «Ali», que como sabes é o lugar onde vive aquele que manda, quero dizer, aquele que ajuda em «Paralistão», alguém me virá «ajudar» a chegar à casa onde irei dormir. No dia imediato, virão ter comigo e dizer-me-ão qual ou quais os trabalhos que terei que fazer!
Podes dizer ao teu amigo que te deu a informação, que eu vou para o «Paralistão», que se enganou! Eu não vou! Eu regresso! É que viver numa terra com estas angustias e com estes queres, não é viver, é alimentar a desilusão! Vagabundo, vem, vem comigo, lá não há mentirosos, porque só diz que faz quem é capaz de fazer e sabe fazer e quem não sabe pergunta como é! É, naquela terra perguntar como é, é igual a sabedoria superior, porque se se quer saber, é porque não se tem a sabedoria toda. É que ninguém a tem! E quem diz que a tem, é porque a roubou! Roubar lá é crime grave, muito grave! Vem comigo, vem! Se não gostares eu trago-te à porta! Lá não há portas!
Almoçámos, e depois viemos embora! Quem pagou a conta do almoço, não sei, acho que foi o equivoco!
Cá fora grande alvoroço! Grande ajuntamento! Discutia-se a lei da prisão! Eu pensei, qual prisão? Afinal o desgraçado que roubasse um pêssego seria preso! Eu… pensando bem acho que quero ser preso! Ouu quero ser morto, liberto da lei do cumprimento do incumprimento!
Súbito diz-me o vagabundo, o meu amigo, vamos que nada temos a fazer aqui…
Neste instante apercebi-me, que nada temos a fazer aqui até sermos nós …
… ouve lá o meu vagabundo …
…óH! Ele está onde? Eu tinha encontros marcados, não mentia, nem prometia coisas que não soubesse que não podia fazer e não faltar!!!
… … …
Tempos depois cheguei a «Paralistão». À entrada do portão que não tem portão, pensei se deveria entrar. Decidi que deveria entrar, não tornar a sair!
À porta, ao portão deixei tudo! Parece descrição de filosofia barata, daquelas que se contam para mostrar coisas, só as coisas, mas não foi! Eu já não precisava do que houvera trazido, como ainda só precisava do que teria que usar agora!
Entrei! Do outro lado do portão, onde não há portão, o mundo esperava-me, recebeu-me. Fez de mim um novo, tal como eu já havia sido.
Não me acompanharam! Agora terão que vir procurar-me, terão que me encontrar, terão que me querem!
Acreditem nas mentiras! Procurem as vaidades! Talvez apanhem algumas! Serão sempre meros corredores do nada, do vazio, à procura de coisa nenhuma, na melhor da hipóteses ganharão um podium, quiçá um cadafalso!
Lisboa ( já nem sequer)
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1 comentário:
Boa malha "Vadium"!
Quem não ía gostar nada desta ironia era o presidente do conselho de ministros, o sr. licenciado em engenharia José Sócrates!
Ele vai ter uma vitória de "pirro", exactamente porque os altos negócios do estado em que anda envolvido não lhe deixam tempo para "vadios", nem "vagabundos" e menos ainda para os desempregados e os pobres. Tadinho!
Votem em consciência e votem bem! Enquanto o país ainda existir...
Fraternal abraço do Jorge da Paz
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