segunda-feira, 4 de maio de 2009

o meu amigo vagabundo escreveu-me

O meu amigo vagabundo acabou de chegar de lá de fora! Ou pelo menos fez-se entender assim …
Eu fui encontrar-me ao lugar que ele me indicou que estava à minha espera. E estava mesmo. Vimo-nos e ficámos muito contentes. Já não nos olhávamos desde a última vez. E fazia muito tempo que isso acontecera.
Após as trocas, curtas aliás, dos cumprimentos detivemo-nos olhos nos olhos como se verificássemos que de facto éramos nós mesmos e não outros por nós.
Depois de ele me ter contado por onde andara e eu também, que o deixou muito contente, quer a ele quer a mim, eis se não quando ele atira uma pergunta para a qual eu não fui capaz de encontrar resposta. Ou talvez tivesse e não quisera dá-la.
- OH! Vadium explica-me porque que cá há tanta gente fardada nas ruas e nas estações dos comboios subterrâneos? (claro que o meu amigo não chamou comboio ao comboio, mas não irei explicar aqui o que ele, disse nem porquê)
- ah! Esses são policias ou guardas!
- Mas não são a mesma coisa?
- …
- Policias e guardas não são iguais?
- Não. Aqui não é como em Ali, que nós sabíamos quem eram os «guardas do Hali».
- Não entendo! Explica-me porque que havendo tantos polícias e guardas, tu, ainda ontem quando falámos, disseste-me para eu ter cuidado porque não se andava seguro na rua!
- … olha eu também não!
- …
Depois de falarmos e muito, ele, olhando muito seguramente, e penetrantemente como nós fazemos em Ali, disse-me:
- Vadium, vem …
- … tens razão…
- Vadium, há gente que te espera em Ali. Em Ali não há policias nem seguranças e há segurança nas ruas …
- … tens razão … então depois …

Já era tarde, ele havia já partido. Já tinha ido, e tinha ido com a firme convicção que eu iria mandar-lhe notícias de Ali, como fizera da outra vez…

Acho que ele tem razão. Vou fazer uma fogueira das coisas, assim além de ficar mais leve e andar mais rápido, ganho o espaço para as coisas que virão.
Eu em Ali, nem preciso de fechar as portas, ou melhor, as entradas, só por causa do frio, mas mesmo assim a manta que tapa a entrada, também tapa a entrada dele.
Eu sempre quis que ele, por Ali, passasse uma vez. Mas na verdade, não! Se ele passar por lá, em Ali, será um voltar, um passar, um repassar desta e nesta terra. Esta terra tem muitos polícias e muitos seguranças, e não tem segurança nas ruas.
Iremos ficar, assim, pensando falar do encontro que, quem saberá se haverá…
Em Ali, não há policias nem seguranças, mas segurança nas ruas.

OH! Vagabundo! no fim da vadiagem e da vagabundagem encontrar-nos-emos, no mesmo lugar de sempre, àquele que nunca se foi …
E foi assim, muito tempo depois encontrámo-nos exactamente nesse lugar! Onde? Mas qual vadium ou vagabundo que se preze, diz onde se vai encontrar !!?

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