Há eleições
Palco:
1 mesa ao centro, duas cadeiras, junto às mesas.
2 personagens, sentadas, vestidas de igual. Uma de cinza claro, outra
de cinza escuro.
Dividem caixas entre si, umas de cima da mesa, outras vindas do chão.
Atrás, numa penumbra, há gente que vai, há gente que vem!
Há gente que sobe, há gente que desce.
Ninguém sabe para onde vai. Ninguém sabe de onde vem!
Todos têm um «ar» muito compenetrado do que não-fazem!
Subitamente do meio da plateia, alguém se levanta, fica de pé. Instala
um banco, para ficar mais alto, e grita:
Há eleições! Há eleições! Há eleições!
Desce do banco, arruma o banco, senta-se.
A iluminação do palco diminui.
As duas personagens do palco desaparecem!
Atrás na plateia, o espaço é aclareado!
Atrás na plateia, «alguéns» levantam-se, circulam como se quisessem
mudar de lugar! Mudam de lugar! Ficam todos lá atrás. Sentam-se!
A situação inverte-se.
Escurece lá atrás.
Reaparecem os dois personagens no palco! Sentam-se nos mesmos lugares,
vestidos da mesma maneira! As personagens sentadas mas agora nas posições trocadas!
Ambas de pé, falam uma com outra por cima da mesa, o palco é novamente
aclareado, agora!
A acção de trocas de caixas e de caixinhas processa-se no sentido
inverso!
Assim o que recebia caixas, antes, agora, nas posições trocadas, e
trocando caixas ao contrário, continua recebendo caixas, …, ainda!
Duas personagens, vindas de lá de trás, do fim do palco, vêm até à boca
de cena, as luzes todas se reacendem, à excepção do palco e da área lá de trás
da plateia, dizem:
Podem ir embora!
Acabou ao que vieram cá fazer!
Amanhãs há mais!!!
Reacendem-se as luzes onde haviam estado escurecidas. Está tudo vazio!
Um cartaz no meio do palco diz:
«… amanhãs há mais» !!!
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