sexta-feira, 1 de junho de 2012

Todos os faróis, estão apagados



Há ocasiões … há ocasiões…

Algures, não interessa onde, mas é sempre bom ver ao longe uma figura destas!


Vemos terra, vemos que lá, alguém uma vez cuidou de sinalizar, de mostrar que ali se procurou cuidar dos que chegam!

Lá mais longe se vê o que de melhor há para quem vem do mar ou do «mar» … um alto de um monte, um alto de uma serra. Aquilo significa terra segura, mesmo quando às vezes não seja tão segura, tanto quanto nós quereríamos, mas pelo menos pisaremos uma terra, um plano que não oscila que não baloiça.

Mal, mal, é que às vezes em terra, a terra oscila mais que o mar, mais que as ondas da água! Lá nas ondas da água do mar, é bom que o navio balance, que vá daqui p’rá ali. Em terra é mau quando isso acontece. E não é quando a terra trema porque se queira acertar! Não, é mau porque aqueles que andam em cima dela andam com força a mais, com força demasiada! Ela não gosta. Ela é delicada, como todas as coisas do universo, até ele mesmo.

Quando a terra treme, o farol apaga-se. Deixa de dar luz. O trabalho do farol é dar luz, é dizer a quem por lá anda onde é o lugar certo para chegar. Esta luz não ilumina o caminho, mostra o caminho. Coisa bem diferente.

Coisa bem diferente, é ver-se o farol e não se ver a luz. Farol sem luz, não é farol, é outra coisa, é pior que um recife, que um baixio, o grave neste mundo, que pertence ao universo, é que está cheio de faróis. Cada qual mostra, quer mostrar um caminho. Todos os faróis, estão apagados. Pior, é que há faróis que não estão no lugar certo e andam às vezes, enganando, incautos que sabem marear, marear todos os mares em todas as naus…

Por isso é que é preciso às vezes deitar abaixo alguns faróis, que não sendo faróis os parecem, … , dá trabalho, dá. Mas a vida, ela toda, também dá, sendo bem mais simples, extirpar o furúnculo que a perna toda!

Sempre houve arautos, quiçá artesões da prevenção, que sempre avisaram ao que se acercava …  vou deixar um pequeno texto de um deles que bem pode emparceirar ao farol…


NADA É IMPOSSIVEL DE MUDAR

Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de
              [hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural,
nada deve parecer impossível de mudar.

Bertold Brecht


Farol e texto de Bertold, ambos extraídos do Blog:
http://timordonorteasul.blogspot.com.br/2007_03_01_archive.html


Texto escrito em português não danificado



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