segunda-feira, 16 de novembro de 2009

os cães ladram e a caravana passa

os cães ladram e a caravana passa

Ali, Paralistão.
(sem data nem lugar).

Há já muito que não tinha noticias da terra de onde viera.
Mas há sempre alguém que dá a noticia .
Mas há sempre alguém que faz chegar a noticia.
Mas há sempre alguém que lê a noticia.
Por artes mágicas, o meu amigo vagabundo, fez-me chegar-me novas dessa terra.
E elas são tantas e tão diversas, que eu julguei que lia algum romance de ‘nova vaga’, algum ‘fait divers’. As coisas que eu ia lendo sucediam-se nos textos que eu no final nem sabia o que pensar. Nunca acreditei nas teorias das conspirações! Mas que aquela terra tinha sido devastada por algum soporífero, todo o mundo já não pensava, só dormia…


Pois é meus queridos …
Conhecem a expressão: … os cães ladram e a caravana passa… ?
O que interessa é saber o que aconteceu à caravana e aos cães.
Tanto quanto se saiba a caravana terá chegado ao destino. Fez e refez os seus negócios. Trocou as suas mercadorias e os seus escravos!
Tanto quanto se saiba, os cães ter-se-ão cansado de ladrar, terão voltado ao ninho, esperando que caia algum ‘maná’ de algum céu, acomodando-se ao lugar.
Quando a caravana voltar, ladrarão. A caravana passará e fará novamente as trocas que tiver que fazer. E fá-las-ás! E trocará os novos escravos, as novas mercadorias.
Os cães voltarão a ladrar, voltarão a cansarem-se, voltarão ao ninho, alimentar-se-ão de algum outro ‘maná’ caído de algum outro céu. Quiçá desta mesma caravana.
O ladrar dos cães às passagens das caravanas faz um colorido ao caminho. Colora além de não fazer mal algum.
Esta história, depois de ter lido as novas que o meu amigo me fez chegar daquela terra, fez-me lembrar os da terra de onde viera!
Falarão, falarão, e eles continuarão!
Até que um dia eles se enganarão nas estrelas e se perderão nas areias… será mau porque os ‘filhos’ não sabendo o que aconteceu aos antecessores, irão repetir os caminhos.
Por lá haverão outros cães. Quem sabe se serão ‘cãos’. Nunca terão aprendido que mais que um se diz ‘cães’ e não ‘cãos’

1 comentário:

Jorge da Paz Rodrigues disse...

Caríssimo Vadium:

Também sem tempo e sem lugar, pois ando também a vadiar de um lugar para outro, vim aqui só para te dizer:

Muito bem! Estou solidário contigo.

Eu e tu ainda vamos latindo...

No mais, embora eu até nem adnire o Saramago, parece que ele foi premonitório, quando escreveu sobre a cegueira, pois parece que em Portugal existem cada vez mais "cegos"! Eu diria até que já só há "cegos" e o pior cego é aquele que não quer ver!

Um abraço solidário do Jorge da Paz, que às vezes também é "Brutus" e "Broca"