Portugal é um país, uma sociedade desobediente!
Portugal é um país onde desobedecer é «elogiante»! O desobediente ganha notoriedade e importância, mais, faz o que todos os demais se sentem incapazes de o fazer!
Nesta terra toda a gente desobedece! Até eu também desobedeço. Não vou explicar ou explicitar o que significa desobedecer!
Num cruzamento passa-se com o sinal vermelho! Desobediência! Até não estava lá ninguém para ver! Ninguém viu – não existiu!
Ao longo do passeio estaciona-se fora do lugar! Desobediência! Não havia outro mais perto e melhor, dirá o desobediente! Ninguém viu – não existiu!
No transporte passa-se sem bilhete, às vezes. Desobediência! Ninguém viu – não existiu!
No exame copia-se do parceiro do lado, se ele deixa. Desobediência! Ninguém viu – não existiu!
Na rua tira-se a carteira do concidadão. Desobediência! Ninguém viu – não existiu!
Nestas e muitas outras situações o problema está em que não há quem veja, para existir! Quer dizer, não há, em linguagem vulgar, não há polícia.
A polícia é precisa para ver, para existir!
Acontece que o cidadão comum, não faz o que deveria fazer, que era cumprir com as regras! Não cumpre, porque na generalidade o «não-cumprimento», é mais cómodo, além da notoriedade!
Na estrada, por exemplo, não se cumpre porque as indicações também não são apostas como deveriam sê-las! Já ninguém acredita nas indicações. Indicações erradas ou esquecidas ou faltas delas, também são desobediências! Acontece que a desobediência sistemática e generalizada, também leva que não se cumpra! Desobediência gera desobediência!
Esta semana houve um acidente!
Esta semana houve mais uma desobediência! Desobediência! Ninguém viu – não existiu! Desta vez, ninguém viu, mas existiu! O preço que foi pago foi caro! Demasiado caro!


(Expresso, 23-08-2009); DN, 23-08-2009 )
Torna-se assim óbvio que os desobedientes pagaram caro! Nada a fazer que lamentar a forma como foi cobrada a «coima»!
Mas não podemos ficar por aqui! Esta sinalização não pertencerá ela à mesma classe dos sinais esquecidos depois das obras na estrada! Aos sinais mal colocados! Aos sinais que não vale a pena colocá-los porque vê-se logo que … ! Se isto era perigoso, em zonas de «dulce fare niente»!, não seria de assinalar melhor, quiçá assustando os aproximantes (!!!), do local?
É verdade que ninguém suspeitava de uma coisa daquelas. Se assim fosse, não haveria alguém que se esquecesse de a proteger! É ! aconteceu.
Nada acontece antes de acontecer!
O que mais me incomoda é que «amanhã» a desobediência vai continuar com a mesma lânguida desobediência que foi acontecendo até hoje, que foi ontem.
Fica-me a ideia que na «Desobediência! Ninguém viu – não existiu!» pode acontecer, e quando acontece, acontece mal.
Há que obedecer, porque a sensação do dever cumprido, não faz furor, não traz dividendos económicos nem sociais nem eleitorais (às vezes, quem sabe (???) ) mas dá, confere uma sensação de prazer e de bem-estar, que só os cumpridores e os que estão por perto podem e sabem saborear!
(Um vadio que se passeia também por ali)
2 comentários:
A culpa morre sempre solteira. Neste caso acho que nem sequer importa saber de quem foi a culpa. Uns deviam ter avisado; outros não deviam ter ido para lá. A verdade é que mesmo depois da tragédia as pessoas continuam a dormir à sombra das rochas...
Meu caro:
Já que o meu amigo não quis dizer o que é desobedecer, digo eu: trata-se do acto de não obedecer, isto é, recusar-se a cumprir ordens ou comandos emitidos por alguém com legitimidade para tal ou, precisando mais, não acatar o que foi estabelecido em forma de lei ou preceitos (escritos ou não, como é o caso do direito natural ou Divino).
Ora, no caso da desobediência que aponta, estava lá um minúsculo aviso de uma entidade estatal, mas, não obstante, o seu não acatamento, custou a vida a 5 seres humanos, infelizmente, isto é, tal desobediência custou muito "cara", pois uma vida humana não tem preço.
Por fim, importa salientar que nem todas as ordens são legítimas (baseadas ne lei) e nem todas são provenientes da entidade legítima (com poder e capacidade para as dar) e a estas é legítimo não obedecer.
Existindo mesmo uma norma constitucional (artº 21º), que consagra o direito de resistência a qualquer ordem que ofenda os direitos, liberdades e garantias e inclusive permite repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública (muitas vezes precisamos de 1 polícia e cadê ele?).
Termino ilustrando com um exemplo: se o autor deste blogue me ordenasse que desse um tiro no PM Sócrates, é claro que não obedecia, pois o "Vadium" não é uma autoridade e ferir ou matar alguém é crime, logo é proibido por lei, muito embora às vezes sinta vontade de pelo menos dar uma estalada no PM...
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