Boas
telenovelas fazem bons espectadores de televisão, maus eleitores (ou bons)!
Uma
telenovela, só por ser telenovela não tem que ser obrigatoriamente má. Pelo
contrário! Ela pode e deve ser boa!
Só que
cá e hoje, não é. Não é porque não quer ser boa! Mas temos que ver o que é ser
boa ou má! Pode acontecer que o que se diz de boa pode até ser má, e
vice-versa!
Quando
se fala de telenovela, é preciso entender o que é telenovela! Vou dar dois (2)
exemplos. Ambas a meu ver com dois sentidos opostos! Ambos bons para uns, ambas
más para mais outros!
À
medida, que o povo foi sendo estupidificado, porque existem métodos de cozedura
da estupidez (analogia à cozedura do sapo), ele fica cada vez mais fácil de
aplaná-lo. São vários, desde «o perigo eminente», que nunca ninguém diz qual é,
como é, onde está, … até algumas provocações «comprovativas» que nunca são
provadas!
O
escândalo, que, esmiuçadamente, nunca se percebe, primeiro como nasceu, depois
como aconteceu e finalmente ninguém se apercebe do seu desaparecimento.
Ainda
não terá desaparecido um, já um outro aparece no prelo. A teoria da «escandalogia» diz que tanto pode ser
agudo como crónico. A todo o «escândalo» «agudo» segue-se sempre um crónico,
com as variações sazonais ou temporais conforme a necessidade circunstancial.
O
escândalo é necessário, para chamar a atenção do fenómeno, como se se tratasse
de um pregão. Como se a mulher aparecesse nua vestindo só roupa vermelha, à
parte todo o contraditório. A este seguir-se-á um, sequente deste, ou quiçá
este mesmo, diminuindo calmamente a intensidade do dito escândalo. A agudez
também cansa, e como a todo o cansaço leva a desleixo, aqui, uma perda de
interesse! Fica então em «banho-maria», mantendo-se quente, para não esquecer!
Fica-se
falando, comentando, auto-alimentando-se!
De
quando em vez, para não esquecer, esquecendo, há que atiçar a novela, com algo
que excite. Se fosse erótico, dir-se-ia picante. Aqui, porque não!?
Expliquemos
melhor, qualquer desenho ajuda!
Apreciamos
que havendo uma sucessão de escândalos, todos urdidos em torno de uma mesma
ideia, vamos conseguir prolongar o tema ao longo do tempo, sem cansar, mas
mantendo a atenção sugada nessa direcção, veja-se como ela, a curva se estende
sempre com «alguns» variados escandalozinhos !!!
Durante
todo este processo, nunca há qualquer abordagem a questões relevantes do foro
intelectual! Aliás, o objectivo de toda esta trama é encher a cabeça do povo
com coisas estúpidas, já que ele está estupidificado, não pensará. Nem convém.
Normalmente
todo este processo usa, vários canais,, vejamos:
-
áudio-visual: TV.
-
picto-escrita: Jornais,
Revistas.
-
escrito: livros oportunos e de
ocasião, sempre convenientes.
Deixo
aqui um esquisso dos pensamentos.
televisão
--- (telenovelas romanescas)
---
--- (telenovela noticial) --- --- --- (desportivas)
---
--- --- (telenovela
comentaristas)
jornais
---
(noticias “rosas”, vermelhas)
---
--- (noticias c/”fugas” de inf!) ---
--- (desportivos)
---
--- --- (artigos ditos
intelectuais!
escrita
---
(jornais/artigos)
---
--- (revistas)
---
--- --- (livros sob encomenda)
Nos
finais das «cozeduras» a papa dada ao povo pode-se reduzir à citação de César:
«Panus et Circus»
Como
pão hoje é um pouco mais difícil de encontrar, vai-se dizendo que há um perigo
eminente, ou tenta-se mostrar uma evidência de desemprego e subsequente fome
que pode vir! Ela não virá, porque já cá está!
Quanto
ao circo, não há arenas ovaladas dos romanos, mas há caixinhas que mantêm todos com os olhos fixos nela! Perdão! A
cabeça e os pensamentos e os processos letárgicos, igualmente produzidas pela
arena romanas!
E… todo
o povo «alimentado» pelos escândalo-1, pelo escândalo-2 e todos os outros que
se seguem, onde cada seguinte começa antes de o anterior acabar, mantendo
sempre a cabeça em direcção e «presa», impede o «homem» de pensar! Ficam bons
telespectadores! Maus pensantes! Bons votantes!
Não
serão nunca estes «povo» que farão com que eles saiam do poleiro onde estão!
Serão eles que um dia se esquecerão e cairão do poleiro!
Este
mesmo povo um dia pensará que foram eles que os derrubaram nas eleições! Quais
eleições! Cansados de uns, como quem vai ao cinema, votarão noutros que não
estes!
Eles
nem nunca perceberão que ninguém ganha eleições! Os que estão, é que as perdem!
E perdem-nas por cansaço!
Porque
os que as ganham, se tivessem ganho por mérito próprio, porque queriam aquela
forma de pensar e não outra, estariam atentos às evoluções pós-eleições! Criariam mecanismos para uma correcta
aferição contínua. Ninguém faz um traço no papel olhando para o bico da caneta.
Se risca olhando à frente por onde a
caneta passará!
O povo,
o povo pensará que mudou a banda do circo. A banda, terá mudado sim, mas a
partitura que a «nova» banda tocará é a mesma que a antiga tocava! Poderão até
serem instrumentos diferentes. A música saída da nova banda, na melhor das
hipóteses, será a mesma! ( se não pior!)
Enquanto
houver novelas, telenovelas, qualquer novela, sobre qualquer assunto, porque
não é o assunto, é o tratamento do assunto, nenhum país, nenhum povo, vai melhorar!
Ólhá a
hora…!
Está na
hora da novela…!

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