segunda-feira, 23 de março de 2015

Boas telenovelas x Bons eleitores



Boas telenovelas fazem bons espectadores de televisão, maus eleitores (ou bons)!


Uma telenovela, só por ser telenovela não tem que ser obrigatoriamente má. Pelo contrário! Ela pode e deve ser boa!
Só que cá e hoje, não é. Não é porque não quer ser boa! Mas temos que ver o que é ser boa ou má! Pode acontecer que o que se diz de boa pode até ser má, e vice-versa!

Quando se fala de telenovela, é preciso entender o que é telenovela! Vou dar dois (2) exemplos. Ambas a meu ver com dois sentidos opostos! Ambos bons para uns, ambas más para mais outros!
À medida, que o povo foi sendo estupidificado, porque existem métodos de cozedura da estupidez (analogia à cozedura do sapo), ele fica cada vez mais fácil de aplaná-lo. São vários, desde «o perigo eminente», que nunca ninguém diz qual é, como é, onde está, … até algumas provocações «comprovativas» que nunca são provadas!

O escândalo, que, esmiuçadamente, nunca se percebe, primeiro como nasceu, depois como aconteceu e finalmente ninguém se apercebe do seu desaparecimento.
Ainda não terá desaparecido um, já um outro aparece no prelo. A teoria da «escandalogia» diz que tanto pode ser agudo como crónico. A todo o «escândalo» «agudo» segue-se sempre um crónico, com as variações sazonais ou temporais conforme a necessidade circunstancial.

O escândalo é necessário, para chamar a atenção do fenómeno, como se se tratasse de um pregão. Como se a mulher aparecesse nua vestindo só roupa vermelha, à parte todo o contraditório. A este seguir-se-á um, sequente deste, ou quiçá este mesmo, diminuindo calmamente a intensidade do dito escândalo. A agudez também cansa, e como a todo o cansaço leva a desleixo, aqui, uma perda de interesse! Fica então em «banho-maria», mantendo-se quente, para não esquecer!

Fica-se falando, comentando, auto-alimentando-se!

De quando em vez, para não esquecer, esquecendo, há que atiçar a novela, com algo que excite. Se fosse erótico, dir-se-ia picante. Aqui, porque não!?
Expliquemos melhor, qualquer desenho ajuda!
Apreciamos que havendo uma sucessão de escândalos, todos urdidos em torno de uma mesma ideia, vamos conseguir prolongar o tema ao longo do tempo, sem cansar, mas mantendo a atenção sugada nessa direcção, veja-se como ela, a curva se estende sempre com «alguns» variados escandalozinhos !!!



Durante todo este processo, nunca há qualquer abordagem a questões relevantes do foro intelectual! Aliás, o objectivo de toda esta trama é encher a cabeça do povo com coisas estúpidas, já que ele está estupidificado, não pensará. Nem convém.

Normalmente todo este processo usa, vários canais,, vejamos:
- áudio-visual:          TV.
- picto-escrita:           Jornais, Revistas.
- escrito:         livros oportunos e de ocasião, sempre convenientes.           
Deixo aqui um esquisso dos pensamentos.

 televisão
 --- (telenovelas romanescas)
 ---   --- (telenovela noticial) --- --- --- (desportivas)
 ---   ---   --- (telenovela comentaristas)

 jornais
 ---   (noticias “rosas”, vermelhas)
 ---   --- (noticias c/”fugas” de inf!) ---   --- (desportivos)
 ---   ---   --- (artigos ditos intelectuais!

escrita 
 ---   (jornais/artigos)
 ---   --- (revistas)
 ---   ---   --- (livros sob encomenda)


Nos finais das «cozeduras» a papa dada ao povo pode-se reduzir à citação de César: «Panus et Circus»

Como pão hoje é um pouco mais difícil de encontrar, vai-se dizendo que há um perigo eminente, ou tenta-se mostrar uma evidência de desemprego e subsequente fome que pode vir! Ela não virá, porque já cá está!

Quanto ao circo, não há arenas ovaladas dos romanos, mas há caixinhas que mantêm  todos com os olhos fixos nela! Perdão! A cabeça e os pensamentos e os processos letárgicos, igualmente produzidas pela arena romanas!





E… todo o povo «alimentado» pelos escândalo-1, pelo escândalo-2 e todos os outros que se seguem, onde cada seguinte começa antes de o anterior acabar, mantendo sempre a cabeça em direcção e «presa», impede o «homem» de pensar! Ficam bons telespectadores! Maus pensantes! Bons votantes!
 

Não serão nunca estes «povo» que farão com que eles saiam do poleiro onde estão! Serão eles que um dia se esquecerão e cairão do poleiro!

Este mesmo povo um dia pensará que foram eles que os derrubaram nas eleições! Quais eleições! Cansados de uns, como quem vai ao cinema, votarão noutros que não estes!

Eles nem nunca perceberão que ninguém ganha eleições! Os que estão, é que as perdem! E perdem-nas por cansaço!
Porque os que as ganham, se tivessem ganho por mérito próprio, porque queriam aquela forma de pensar e não outra, estariam atentos às evoluções pós-eleições!  Criariam mecanismos para uma correcta aferição contínua. Ninguém faz um traço no papel olhando para o bico da caneta. Se risca olhando à frente por onde a caneta passará!

O povo, o povo pensará que mudou a banda do circo. A banda, terá mudado sim, mas a partitura que a «nova» banda tocará é a mesma que a antiga tocava! Poderão até serem instrumentos diferentes. A música saída da nova banda, na melhor das hipóteses, será a mesma! ( se  não pior!)

Enquanto houver novelas, telenovelas, qualquer novela, sobre qualquer assunto, porque não é o assunto, é o tratamento do assunto, nenhum país, nenhum povo, vai melhorar!

Ólhá a hora…!
Está na hora da novela…!






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