sexta-feira, 16 de março de 2012

Crime de esquecimento, disse Todorov.


Parafraseando Agatha Christie quando ela diz: crime, disse ela. Abordo do Expresso do Oriente.

Fazer esquecimento é crime de «lesa memória». Ou nacional, ou do povo, ou da humanidade.

Fazer com que os vindouros não saibam ou não tenham forma de ter memória, é crime.

Honremos os do Kosovo! Eles comemoram uma derrota na qual perderam a soberania. Forma sublime de manterem a identidade.

No meu país, perdão, no meu País, matam a memória, vão matando lentamente, porque a ideia não é matar, mas ir matando…

Paremos um pouco e leiamos quem sabe ...

Los regímenes totalitarios del siglo XX han revelado la existencia de un peligro antes insospechado: la supresión de la memoria.*

(Os regímenes totalitários do seculo XX revelaram a existência de um perigo antes inesperado: a supressão da memória.)

O texto referido é todo ele bem elucidativo.

Fazer esquecer, ou fazer com que não haja memória é uma forma de assassinato, do passado!

Por isso é que se vai aos cemitérios todos os anos, no início de Novembro, para não esquecer os que já morreram.

Por isso é que em datas ditas comemorativas se fazem romagens aos monumentos evocativos da memória.

No meu país querem matar a última passagem à independência. 1º de Dezembro de 1640! Matança da memória.

É crime, digo eu.

Será que irão abater o Obelisco dos Restauradores? Daria um belíssimo espaço para automóveis, e seria rentável!

Numa terra que não tem Ministério da Cultura, não têm cultura para saberem o que fazem.

Chegaram depois. Quando chegaram, já a cultura tinha emigrado e emigrara para as terras que defenderam a metrópole (ideia grega, helénica), quando esta se desbaratava que nem por um prato de lenteinhas… ou menos ainda…

Tenhamos, não pena, mas peçamos o castigo que os deuses sabem dar, e eles sempre souberam.


* En: Todorov, Tzvetan. Los Abusos de la memoria, Paidos, 2000, Barcelona, pp. 11-60. Lido em: www.cholonautas.edu.pe / Biblioteca Virtual de Ciencias Sociales. (1º parágrado).

Texto escrito em português não danificado

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