terça-feira, 1 de novembro de 2011

Lição de democracia em Atenas

Na questão das dívidas gregas e outras que tais, o mundo não é o que é
vendido na comunicação social
à esquerda e ou à direita!
(Tradução rápida e sumária do Vadium, no final do texto está a origem do mesmo)

Lição de democracia em Atenas




Os banqueiros tomaram cedo demais o «champagne». Muito seguros de sua supremacia sobre o sistema democrático, convencidos de que os gregos implorando, sua escravização em troca de um desconto, os apostadores e as suas VRPs, os mercados de acções e da classe política europeia tinham negligenciado um detalhe. A divisa da Grécia é: Liberdade ou morte!

Ora todo o mundo sabe que o dinheiro não é ferida mortal.
É conhecer mal os Gregos, imaginar que eles se iam submeter a um protectorado permanente, apenas para manter um aparente conforto material.

A história pode contudo servir de lição.
Em 1940, enquanto a grande democracia francesa, pátria dos direitos do Homem, capitulava, entregou numa debandada o que restou do Estado, aceitaram em cooperar na desonra, os Gregos disseram OXI (não) a Mussolini.

Eles rechaçaram o exército italiano duas vezes para a Albânia.

Diante aos panzers alemães a Grécia vende caro sua pele.

Ela resiste a pés juntos durante longos meses, até a Creta, onde os comandos pára-quedistas nazis foram dizimados.

Churchill diz então «não será mais preciso dizer que os Gregos combatem como heróis, mas que os heróis combatem como os Gregos». Hitler reconhece a verdade histórica, que só os Gregos na verdade lhe resistiram. O tempo pedido pelos Nazis na Grécia salvará a URSS.

O estado grego ocupado não colaborará nunca, não entregará os judeus. Os gregos não se renderam às armas, a resistência começará desde o inicio da ocupação.

10% da população helénica morreu durante a guerra. Recolhiam-se os cadáveres em Atenas pela manhã.

Na libertação, os Ingleses quiseram restabelecer a monarquia.

Os Gregos disseram OXI e envolveram-se numa guerra civil que durará até 1949.

Em 1963, a esquerda republicana ganha as eleições legislativas. Os Ingleses, organizam a instabilidade governamental, mas acabam por perder o controlo.

Kissinger inquieta-se e acaba por montar o golpe de estado dos coronéis em 1967.

Os gregos dizem OXI à ditadura. Os campos de concentração florescem nas ilhas, tortura-se como uma vingança, mas os gregos não se submetem . A embaixada US explode, os estudantes desafiam o exército na rua, Théodorakis canta Néruda no estádio de Santiago de Chili, apenas a alguns meses antes do golpe de estado de Pinochet.

Com um tal passado, seria ingénuo crer que os inventores da democracia, capitulariam a sua soberania frente a uma troika de umas rodadas de couros e banqueiros.

Não nos enganem.

O anúncio do referendum grego é um golpe terrível, atirado à plutocracia europeia.

O período de incerteza que se abre daqui até Janeiro onde o referendum poder-se-ia tornar-se de volta, a arma da chantagem em caso de falência contra aqueles que a bradaram.

Ele permite corajosamente lembrar aos bancos que, contrariamente às nações, eles são mortais.

Uma lição que é hora de dar.

Ela tem ainda a vantagem de fazer descobrir os verdadeiros inimigos da democracia, como «Estosi»* que se atreve a encontrar pessoas insultando.

(*) Estosi personagem política da França actual.

http://www.agoravox.fr/tribune-libre/article/lecon-de-democratie-a-athenes-103402


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