Brasília
(A terra da fantasia)
É assim que os de cá intitulam a cidade!
Acreditei que fosse demais! Acreditei que fosse a habitual maledicência que todos nós dizemos da terra que habitamos!
Acreditei que precisaria de algum tempo para conhecer que afinal não seria tanto como a pintam!
Não precisei de tanto tempo. Um mês chegou para constatar que na realidade, não só é como eles dizem que é, como é algo pior, que só alguém que não pertence à terra poderá «ver», porque é de fora, o seja, é isenta e exterior!
Brasília
(… ou a cidade «murada» por decreto)
Na idade média e até antes dela, as cidades para se protegerem, erguiam muralhas em torno delas. Aliás ao longo da história sempre foi assim. Os cidadãos na Grécia, os patrícios em Roma, novamente os cidadãos modernamente ergueram muralhas de pedra nos limites dos seus burgos! Mais tarde, mais sofisticadamente ergueram canhões, apontando para fora, para o lado de onde supostamente viriam os invasores ou os actuais bárbaros!
Brasília, decretou que aquém de um certo perímetro não se poderia construir! Só o «estado« poderia fazê-lo, para o «Bem-Comum». Sempre se invocou o «Bem-Comum», como modelo de Bem-fazer! Sempre restou saber onde começa e acaba o «Bem-Comum» e o bem-fazer!
Brasília
(… ou a planificação que se esqueceu do planificado)
Toda a cidade existe para servir o homem! Cidade sem homem, não é cidade, é uma «fantasmagoria»!
A cidade de Brasília foi planificada a meios do Séc. XX. Anos 50! Haviam 33 anos que vingara a mudança do mundo e ganhava-se a metodologia da planificação. Tudo era organizado, até a família. Incluído o amor! O Amar! Este só existia pela necessidade do cumprimento da procriação, forma económica e agradável de a fazer cumprir!
Circular-se-ia sempre em frente. Não haveria cruzamentos!
«Esquadradamente» arrumados os locais onde funcionaria as repartições, que periodicamente, com uma regularização diária, ora se enchiam, ora se esvaziavam.
Os planificadores, não planificaram onde se arrumavam os novos «servos».
Os planificadores não planificaram como se deslocavam, como iam, como vinham estes mesmos «servos».
Os planificadores só planificaram os locais onde o «gado», perdão, os «servos» pastariam, perdão, comeriam, só porque se aqueles, os servos, não comessem, não trabalhariam! Os novos cidadãos não seria servidos!
O homem não tem onde passear! Só jardins bonitos, ajuda! Mas não chega!
O homem não tem onde andar e olhando!
O homem não tem, porque o homem, não pertence a esta cidade! O homem pertence a «ghettos», ou a «gulags», fora do perímetro «decretal», ou o que pressupostamente chamam em versão moderna, «cidades satélites», tal como diz o nome, só orbitam, não são!
Como cidade organizada, só se poderá ter doenças em locais próprios! Ou em hospitais (convém não estar longe) ou perto de farmácias ( também convém não estar longe), porque estas todas juntas, facilita a distribuição, dos remédios, não dos doentes! Tudo já longe da idade média, mas tal como nesse tempo, tudo arrumado, como no tempo das corporações! Até os restaurantes, todos juntos! Tal como nas cantinas do tempo da sociedade socialista organizativa… as embaixadas e consulados, como meras repartições, todas arrumadas e alinhadas.
Brasília
(… Brasília encerra beleza e possui coisa para o futuro…)
Sob o perigo de saturar, não irei agora abordar estas boas questões, e tal como nas boda de Canaã deixarei o agradável para amanhã.
O tempo irá certamente lavar a boca e dará tempo ao tempo para que se possa saborear outros sabores!
Texto escrito em português não danificado
2 comentários:
Olá Vadium!
Conheço Brasília e também acho que está "arrumada" demais.
E só se esqueceu de dizer que quem por mero azar estiver no sector bancário e tiver que ir a uma farmácia, só se tiver automóvel ou conseguir um táxi, senão corre o risco de se ficar por ali...
Daí que, quem tiver automóvel, safa-se, quem não tiver bem pode esperar.
Um abraço amigo.
Gostei, é isso mesmo. Agora precisas enaltecer as qualidades. Quer um exemplo? A limpeza da cidade.
Enviar um comentário