quarta-feira, 2 de junho de 2010

Reciclagem ou A Feijoada de Ontem

Reciclagem
ou
A Feijoada de Ontem

Tenho escutado acerca da necessidade de voltar(?) a usar alguns que já se reformaram!
Não vou explicar o que é reformarem-se!
Ao fim de alguns anos de trabalho, a sociedade reconhece o direito desses alguns deixarem de trabalhar e continuarem a ganhar ou usufruírem dos direitos e prerrogativas obtidas até então dispensando-o da obrigatoriedade de trabalharem mais. Ao serem libertados, criam espaço para gente nova! Ficam livres e disponíveis para morrerem!
Agora escuta-se novamente que é preciso voltar a chamar os «antigos»! Há falta? São precisos? Sim! Porquê?

Os novos sabem «quase» tudo que sabem os antigos! Os anti-gos sabem o que os novos aprenderam com eles!

Então porquê chamar os antigos!?

Há saberes e conhecimentos e práticas que só se adquirem com o tempo! Com a habituação da prática da coisa! Coisas, que por mais e melhores escritas que estejam em livros, em suportes visuais, a não-prática faz com que se não adquire!

Tudo análogo, ou quiçá, igual à Feijoada de ontem! Porquê? Porque ficou a «marinar» com o «tempo»! Com tempo q.b.. Tempo demais, azeda!

Pedir ao antigo que volte, e que volte a trabalhar, deve ser visto como um retorno como mestre! Deve voltar a fazer com a cal-ma de um mestre, e trazer outro, à ilharga, para que ele seja mestre-aprendiz!

A calma de um médico-velho , ao lado de um novo, ensina este a «usar» a «calma»!

A idade de um engenheiro é medida pelo factor de segurança introduzida no cálculo! O factor de segurança é inversa à experiência!

Há sociedades, incapazes de reconhecerem e valorarem o reformado em continuar a trabalhar! Vão obrigar ao neófito em fazer todo o percurso até saber. . . e reformar-se! Quanto tempo perdido!

Os antigos ainda se lembram que a curva da «Wall Street» tem óleo e que se a fizerem rápido, escorrega!

Os «youppies», nunca lá passaram antes, e é por isso que escorregam!

Não quero ser antigo, porque quero aprender muito! Mas continuo a gostar muito da Feijoada de ontem porque sabe melhor, o tempo fez com que ela tenha adquirido todos os sabores !

Hoje, mais que reformar os antigos, reconheçam-lhes o valor! Reconheçam-lhes o saber adquirido, e quem tem boa formação, ficará satisfeito por formar para trás, o que foram aprendendo ao longo do tempo!

A melhor forma de limpar é não sujar!

A melhor forma de ensinar é não deixar que se esqueça!

Até para os economicistas esta observância é rentável! A doença ou as doenças são proporcionais à quantidade de tem-po inactivo! Quanto mais inactivo quanto mais doente… e doente ou doença é medicamento … e este é óptimo para os produtores de remédios, quiçá uma ajuda à Indústria Farmacêutica.

Partamos a caminho da Feijoada de Ontem que é boa porque é de ontem!

1 comentário:

Unknown disse...

Realmente o país tem que investir em sangue novo, e não querer aproveitar quem já contribuiu para o crescimento da nação.
Cláudia